A atualidade de uma insurreição

gueto

Vivemos numa era de imagens supersônicas e novidades fugazes. A memória acaba terceirizada em bytes e nuvens virtuais. Os legados coletivos são diluídos em oceanos de notícias, filtrados por interesses cada vez mais ocultos. Em ambiente dessa natureza, como dar sentido à lembrança do levante do gueto de Varsóvia ? Como valorizar um acontecimento que completa 72 anos, uma eternidade pelos padrões acelerados da vida de hoje ?

Antes de mais nada, é fundamental persistir na memória. A história dos povos não se constrói sem as narrativas de suas lutas, seus projetos, suas glórias e decepções. Formam uma pedagogia indispensável para criar identidades. A ZOB – Organização Combatente Judaica, que coordenou a insurreição de abril/maio 1943, consolidou uma aliança política que ilumina, até hoje, a importância da unidade em tempos difíceis. De sionistas a comunistas, os judeus do gueto basearam a ação militar no compromisso político. O resultado foi uma impressionante guerra de guerrilhas, que durou cerca de 4 semanas. Um pequeno grupo, mal armado e sem treinamento militar, resistiu duramente a um dos mais preparados exércitos do mundo. A conjuntura aconselha aos povos a forma de resistir à opressão.

O primeiro dia do levante coincidiu com a abertura do Pessach. Numa conhecida passagem da Hagadá, comenta-se que cada um deve sentir a saída do cativeiro no Egito como se tivesse participado pessoalmente daquela história. Esta é, talvez, a grande lição da revolta de 1943: não basta saber, é indispensável participar. Hoje, não há tropas nazistas de ocupação. No entanto, as guerras, a fome, a destruição ambiental, os imensos desequilíbrios sociais e o fortalecimento do racismo e da xenofobia transformaram o planeta num gigantesco gueto. Para honrar a memória dos revoltosos de Varsóvia, é urgente criar as condições para derrubar os muros e colocar a Humanidade no caminho da fraternidade e da justiça social.

À maneira de Ernest Hemingway e no mesmo espírito do levante, dizemos: não pergunte por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti.

Rio de Janeiro, 19 de abril de 2015

ASA – Associação Scholem Aleichem de Cultura e Recreação (Rio de Janeiro/Brasil)

ADAF – Associação David Frischman de Cultura e Recreação (Niterói/Brasil)

Meretz/Brasil

Centro Cultural Mordechai Anilevitch (Rio de Janeiro/Brasil)

Hashomer Hatzair (Rio de Janeiro/Brasil)

Jornal de Cultura e Política Algo a Dizer (Rio de Janeiro/Brasil)

Instituto Casa Grande (Rio de Janeiro/Brasil)

Clube de Cultura (Porto Alegre/Brasil)

Casa do Povo (São Paulo/Brasil)

ICUF – Federação das Entidades Culturais Judaicas da Argentina

Mães da Plaza de Mayo de Concórdia e Santa Fé (Argentina)

Avós da Plaza de Mayo (Argentina)

Convergência por um Judaísmo Humanista e Pluralista (Argentina)

Associação Judaica pelos Direitos Humanos (Argentina)

Associação 18J – Sobreviventes, Familiares e Amigos das Vítimas no Atentado à AMIA (Argentina)

Associação Cultural Israelita de Córdoba (Argentina)

Associação Cultural Israelita de Tucuman (Argentina)

Associação Cultural Israelita Argentina I. L. Peretz, de Santa Fé

Associação Pró-Arte Idisher Folks Teater (Argentina)

Centro Cultural Israelita I. L. Peretz de Lanus (Argentina)

Centro Cultural Israelita de Rosário (Argentina)

Centro Cultural Israelita de Mendoza (Argentina)

Sholem Buenos Aires (Argentina)

Coro Popular Judaico Mordje Guebirtig (Argentina)

União Cultural Armênia (Argentina)

Hadash – Frente Democrática pela Paz e pela Igualdade (Israel)

Associação Cultural Israelita dr. Jaime Zhitlovsky (Uruguai)

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