Humor

Nem com o Diabo

No meio de uma discussão medonha, Hana se queixa:

– Teria sido bem melhor se eu tivesse me casado com o Diabo.

– Impossível – responde Iossef – ,o casamento entre parentes próximos não é permitido.

Baliza

Rebeca, depois de estacionar o carro, pergunta para o marido:

– Amor, fiquei muito longe do meio-fio?

– De qual dos dois?

Não era sonho

Enquanto tomavam o café da manhã, Sara comenta com o marido:

– Sabe, à noite, você me xingava enquanto dormia.

E Roberto, ajeitando a quipá:

– Quem disse que eu estava dormindo?

Amigo

– Adi fugiu com o meu melhor amigo.

– Seu melhor amigo? Quem é?

– Não o conheço, mas seja lá quem for, passou a ser o meu melhor amigo.

Deus e o judeu

 Um judeu piedoso falece e é recebido por Deus no Paraíso.

‒ Moishe, você está com fome?

‒ Estou ‒ responde Moishe.

E Deus lhe traz uma fatia de pão preto e uma lata de atum.

Enquanto come, Moishe olha para baixo e vê que no inferno é  servido um belo churrasco, doces e vinho.

No dia seguinte, Deus novamente convida Moishe a participar da sua refeição – e novamente pão e atum.

No inferno, o cardápio mudou: agora era cordeiro, caviar, chocolate, doces e champanha.

No outro dia, de novo, Deus traz atum e pão.

Moishe não consegue mais ficar calado.

‒ Meu Deus, agradeço muito ter-me aberto as portas do Paraíso… prêmio por eu ter sido um judeu piedoso, mas não entendo  por que no Paraíso só comemos pão com atum, enquanto os moradores do Inferno se deliciam com as melhores iguarias.

Deus suspira.

‒ Sinceridade, Moishe? É que para dois, não vale a pena cozinhar.

 

Mensagem de Rute para Dona Lea

Querida sogrinha,

Não me diga como devo educar os meus filhos. Vivo com um dos seus e posso lhe garantir que ele está precisando de uma boa melhoria.

Falando enquanto dorme

A senhora Nusbaum vai ao médico.

– O meu marido tem a mania de falar quando dorme.

O que devo lhe dar para resolver o problema?

– Uma chance para ele falar quando está acordado.

 

Ainda bem

A situação estava punk, pelo menos na vida do Iankel. Os negócios iam de mal a pior,  o dinheiro não dava pra pagar as contas no fim do mês, e o amigo ouvia as queixas com atenção.

‒ Iankel, nada pode estar tão ruim.

‒ Você e o seu otimismo não resolvem os meus problemas ‒ responde Iankel, exasperado.

‒ Mas é verdade, Iankel, quando alguém tá enrascado, se procurar no fundo d’alma, sempre vai encontrar um motivo para estar grato.

‒ E o que tenho pra agradecer?

‒ Dê graças por não ser um dos seus credores.

Surpresa

Avô para o balconista:

‒ Quero comprar uma caneta para o meu neto, presente de Bar-mitsvá.

E o balconista:

‒ É surpresa, imagino.

‒ É, ele pensa que vai ganhar uma viagem para Disney.

A marca do campeão

O violinista Isaac Stern e o boxeador peso pesado Muhamad Ali foram apresentados numa festa em Nova York.

‒ Pode-se dizer que ganhamos a vida no mesmo ramo ‒ comentou Stern.

Ali encarou Stern com admiração:

‒ Você deve ser muito bom. Não tem nenhuma cicatriz.

Tudo velho

Há quem conte que, quando desceu o Monte Sinai, depois de 40 dias, para encontrar os israelitas na anarquia, Moisés começou o discurso assim:

‒ Tenho uma notícia boa e outra má. A boa é que O convenci a reduzir para 10. A má é que o adultério continua na lista.

Dizem que assim foram lançadas as bases da novela.

Emergência

Dez horas da noite. O doutor Daniel Cohen atende o celular.

‒ Precisamos de mais um para o pôquer ‒ diz, aflito, o doutor Rabinovitch.

‒ Estou indo ‒ responde o doutor Cohen já trocando de roupa.

‒ Aonde você vai a esta hora? ‒ indaga a mulher, ao vê-lo se vestindo.

‒ Lamento, amor. Tenho uma emergência.

‒ É tão grave assim?

‒ É. Já tem três médicos me esperando.

 

Alzheimer

O rabino quase caiu duro quando viu Mário aparecer, pela primeira vez na vida,  no serviço de Shabat.  Terminado o serviço, foi cumprimentá-lo.

‒ Estou tão feliz que você tenha vindo. O que te fez tomar esta decisão?

‒ Tenho que ser honesto com você, rabino. Um tempo atrás perdi um chapéu que eu adorava. Sabendo que o Luís, ao entrar na sinagoga com um chapéu igual, costumava trocá-lo pela quipá, planejei roubá-lo.

‒  Você roubou o chapéu do Luís?

‒  Não. Depois que  ouvi o senhor falar dos dez mandamentos percebi que não precisaria mais roubá-lo.

Emocionado, o rabino sorriu.

‒ Foi depois que eu comentei o “Não roubarás”, não é?

‒ Não, rabino. Depois que você falou sobre “Não cometerás adultério”, lembrei-me de onde havia esquecido o chapéu.

(colaboração de Elisa Milech)

Custo

O homem se aproxima do rabino:

‒ Diga, rabino, o senhor, na qualidade de mestre da moralidade, considera correto alguém lucrar com a desgraça dos outros?

‒ Claro que não.

‒ Então, que tal devolver a grana que o senhor cobrou para oficiar o meu casamento?

El Al ídishe mame

Bernardo e Alberto se encontram no escritório.

‒ E aí, Bernardo, como foi a viagem a Israel?

‒ Ótima.

‒ E o que te impressionou mais?

‒ A atenção e o zelo da El Al, a companhia aérea israelense.

‒ É mesmo? Por quê?

‒ Imagina que na hora da refeição, enquanto uma aeromoça distribuía as bandejas, a outra ia atrás recomendando:

‒ Comam! Comam!

O rabino e o marido aflito

Um judeu chega à casa do rabino e, aflito, se queixa:

‒ Rabino, minha mulher não me deixa viver! Ela me ofende, me maltrata, me humilha!

O rabino responde:

‒ Divorcie-se.

E o judeu:

‒ Rabino, como vou me divorciar se eu a quero?

O rabino responde:

‒ Não se divorcie.

Ao cabo de uma semana, volta o judeu:

‒ Rabino, já não posso mais viver com ela. Ela não quer que eu estude, me insulta, me faz passar vergonha diante dos amigos!

‒ Divorcie-se.

‒ Rabino, como vou me divorciar? O que dirão meus pais, meus amigos e conhecidos?

‒ Não se divorcie.

Passam poucas semanas e o cara volta ao rabino:

‒ Rabino, ela não quer me fazer guefilte fish para o Shabat! Não quer fazer amor comigo! Como posso viver?

E o rabino, com santa paciência:

‒ Converta-se ao cristianismo.

‒ Rabino, sou um judeu piedoso, cumpridor de todos os preceitos da Torá. Por que tenho de me converter?

‒ Assim você vai encher o saco do padre!

Praga

Há um velho (e cruel) insulto ídish que diz:

“Desejo que você esteja tão miseravelmente faminto que precise vir pedir um pedaço de pão justamente a mim.  E que eu esteja tão pobre que não possa ajudá-lo.”

(De “As melhores piadas do humor judaico”, vol.2, Abram Zylbersztajn, Ed.Garamond)

O lado errado

A aula de Tanach é sobre o episódio em que a mulher de Lot olha para trás e vira uma estátua de sal. Lá no fundo da sala, Daniel levanta a mão:

‒ Com a minha mãe foi diferente.

‒ Diferente como? ‒ quer saber o professor.

‒ Ela olhou para trás e bateu no poste.

Dia das Mães Judias

“O almoço do Dia das Mães estava delicioso: tchúlent com quíchke. Terminada a compota, segue-se o diálogo:

Filha: Mãe, posso deixar as crianças com você hoje à noite?”
Mãe: “Você vai sair?”
Filha:  “Vou.”
Mãe: “Com quem?”
Filha: “Com um amigo.”
Mãe: “Não  sei por que você largou o seu marido. Ele é um homem tão bom.”
Filha: “Não fui eu, foi ele quem me largou.”
Mãe: “Você deixou que ele a largasse, e agora fica saindo com qualquer um.”
Filha: “Eu não saio com qualquer um. Posso deixar as crianças aqui?”
Mãe: “Eu nunca deixei que você saísse com ninguém a não ser com seu pai.”
Filha: “Tem um monte de coisas que você fazia e eu não faço.”
Mãe: “O que você está querendo dizer?”
Filha: “Nada, só quero saber se as crianças podem dormir aqui esta noite.”
Mãe: “Você vai passar a noite com ele? O que o seu marido vai dizer quando descobrir?”
Filha: “Meu EX-marido. Não acho que ele vá se chatear. Desde que me largou, provavelmente nunca dormiu sozinho!”
Mãe: “Quer dizer que você vai dormir na casa desse joão- ninguém?”
Filha: “Ele não é um joão-ninguém.”
Mãe: “Um cara que sai com uma divorciada com filhos é um joão-ninguém e um parasita.”
Filha: “Não quero discutir. Posso deixar as crianças ou não?”
Mãe: “Tadinhas das crianças, com uma mãe dessas.”
Filha: “Dessas o quê?”
Mãe: “Sem estabilidade. Não admira que seu marido a tenha largado.”
Filha: “CHEGA!!!”
Mãe: “Não grite comigo. Vai ver você grita com esse joão-ninguém também!”
Filha: “Agora você está preocupada com o joão-ninguém?”
Mãe: “Ah, então você admite que ele é um joão-ninguém. Eu logo vi.”
Filha: “Tchau, mãe.”
Mãe: “Calma! A que horas você vai trazer as crianças?”
Filha: “Não vou trazer!  Não vou mais sair!”
Mãe: “Se você  não sair nunca, como é que vai conhecer alguém?”

Mãozinha

Osnat dirigia numa importante avenida de Jerusalém quando a van enguiçou. Por mais que tentasse, não conseguia fazer o bicho sair do lugar.  Enquanto isso, a fila de veículos ia crescendo. O motorista atrás dela, especialmente impaciente, não parava de buzinar.  Finalmente, Osnat sai da van e se dirige ao nervosinho:

‒ Não consigo ligar o carro.  Você poderia tentar pra mim?  Não se preocupe, pode deixar que eu fico aqui no seu carro e aperto a buzina pra você.

A luz

Um viúvo enlutado expressou seus sentimentos mandando gravar na matseivaque um dia iria partilhar com a falecida a frase “A minha luz se apagou”. Acontece que ele se encantou por uma moça, começou um namoro, e antes de marcar a data do casamento foi perguntar ao rabino se, dada a nova situação, deveria apagar a inscrição na pedra.

‒ De jeito nenhum ‒ responde o rabino ‒, basta acrescentar “Acendi outro fósforo”.

Gato escaldado

Deslumbrado com a árvore de Natal que o vizinho estava montando, Daniel pede:

‒ Papai, podemos ter uma árvore de Hanucá?

‒ Não, claro que não.

‒ Por quê?

‒ Porque da última vez que nos metemos com um arbusto iluminado, gastamos 40 anos perambulando pelo deserto.

O problema

Em discurso durante um evento, em junho último, em homenagem ao rabino-chefe da Grã-Bretanha, lorde Jonathan Sacks, que se aposentou após 22 anos no cargo, o príncipe Charles admitiu temer um aumento do antissemitismo no país. O fenômeno vem se repetindo em outros países europeus. Na Rússia, um rabino do Chabad foi baleado num episódio considerado de cunho antissemita. Essa ocorrência não surpreendeu judeus russos que fizeram aliá. Anatoli, por exemplo, lembra que Leonid Brejnev, quando secretário-geral do PC da União Soviética, incomodado com a imagem de antissemita associada ao país, chamou um dia o assessor mais próximo:

‒ Camarada Ievgueni, tive uma ideia para acabar de uma vez por todas com essa falsa impressão de que somos antissemitas. Mande construir uma sinagoga muito ampla e bonita no centro de Moscou, que vai impressionar todos os turistas que por aqui passarem.

Alguns meses depois, Brejnev foi visitar o templo já pronto.  Ficou impressionado. Era enorme, luxuoso mesmo, cheio de cristais, vitrais e mármores da melhor qualidade. Mas estava vazio, nenhuma alma viva. Chamou o assessor:

_ Visitei a sinagoga, está muito bonita, mas não tem ninguém.  Qual é a sua explicação, camarada Ievgueni?

‒ É que não encontramos nenhum rabino.

‒ Não temos rabinos na União Soviética?

‒ Ter, temos. O problema é que são todos judeus.”

O suor do rosto

Um pobre foi queixar-se ao rabino de que, por mais que trabalhasse, mal conseguia se sustentar.

“Está escrito”, explicou o rabino, “que com o suor do teu rosto ganharás o teu pão.”

“Tudo bem se, pelo menos, depois de tanto esforço eu ganhasse muito pão.”

“Acontece”, ponderou o rabino, “que não faz bem à saúde comer muito depois de transpirar…”

Come!

“Tive um pesadelo na noite passada”, conta Ariel para a psicanalista, que no dia 6 de maio comemora o dia do profissional da psicanálise . “Eu estava falando com a minha mãe, mas quando ela se virou para me responder, era a sua cara.  Fiquei tão perturbado que não consegui mais pregar o olho.  Mal amanheceu, pulei da cama, bebi uma Coca e vim correndo para cá.  Como você interpreta esse sonho?”

“Uma Coca?  Isso lá é refeição?

(colaboração do leitor Alberto G.)

Assinatura 

Conta-se em Nova York que, décadas atrás, Sheine, uma imigrante judia analfabeta, operária numa sweatshop no Lower East Side, foi receber o salário. No lugar da assinatura, desenhou um círculo.
“Por que, Sheine, você fez um círculo em vez do X de sempre?”
“Ora… por quê? Porque eu me casei e mudei de nome.”

Tempo horroroso

Um tremendo pé d’água típico de verão, com relâmpagos e trovões, pegou Birenbaum desprevenido na volta para casa após um dia de trabalho. Distraído, escorregou e caiu dentro de um bueiro.  Ao ouvir os pedidos de socorro, um policial se aproximou.

“Aguente firme que vou chamar os Bombeiros.”
“Primeiro me chame um padre.”
O policial voltou logo com o padre.
“Como posso ajudá-lo?”, pergunta o padre.
“Quero que encomende minha alma”, berrou Birenbaum lá de baixo.
“Acho que chegou a minha hora.”
“Qual é o seu nome, filho?”
“Birenbaum”, gritou ele, do meio da escuridão.
“Birenbaum!”, exclama o padre, surpreso. “Você não deveria ter chamado um rabino?”
“E Birenbaum, indignado: “O senhor acha que eu iria incomodar o meu rabino num tempo horroroso como este?”

 (Harry Golden, adaptado do The Golden Book of Jewish Humor)

A segunda razão

Um israelense muito bem de vida decidiu emigrar, deixando para trás uma mansão à beira-mar, carros de luxo, enfim, uma vida confortável.
“Mas por quê?”,  quis saber um amigo, incrédulo. “Você tem tudo!”
“Por duas razões. A primeira, é que  este governo é uma confusão, tem uma política  deplorável, e está levando o país à ruína.”
“Mas no dia 22 de janeiro teremos eleições e ele poderá perder.”
“Taí a segunda razão.”

Bota-abaixo

Aconteceu antes da Primeira Guerra Mundial. Um funcionário do governo polonês visitou uma aldeia judaica no primeiro dia de Sucot. Ultrajado ao ver o grande número de cabanas erguidas para celebrar a festa, exigiu que o prefeito, que mantinha um bom relacionamento com os judeus, emitisse uma ordem para que estes destruíssem as tendas. O prefeito não se fez de rogado. Decretou: “Atenção, todos os judeus, Estejam notificados de que todas as cabanas devem ser destruídas no prazo de dez dias”.

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