Repassado e represente

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(…) O passado é um país distante                      que distante é a sombra da voz                             o passado é a verdade contada                           por outro de nós (…) 

Sérgio Godinho, poeta português 

 

Neste ano de 2015 a ASA fez 51 anos. E a BIBSA, sua origem, completou cem. O que dizer deste tempo entrelaçado, que nos toca, tão diferente dos dias de agora? Naquele tempo – quando a BIBSA foi fundada ‒ a comunidade crescia e com ela suas instituições. Foi um tempo em que a geração dos nossos pais e avós construiu inúmeros clubes, colégios, sinagogas, bibliotecas. Eram ambientes com distintos perfis, que disputavam a liderança dentro da comunidade, e recebiam todos em busca de lazer, convívio, educação ou fé.

Hoje, seja pela redução do crescimento vegetativo ou pela simples evasão de seus membros, as instituições judaicas do Rio de Janeiro, especialmente as laicas, encolhem. Muitas fecham as portas. Desta forma, os espaços comunitários diminuíram sensivelmente e os lugares de convivência estão cada vez mais restritos. Algumas escolas fundiram com outras, alguns clubes fecharam, outros permanecem de pé por força do empenho de alguns abnegados que ainda acreditam que é importante manter aqueles espaços, mas suas paredes estão quase que totalmente sós. Entre todas estas instituições temos a ASA.

Centenária, se pensarmos que é uma continuidade da BIBSA; cinquentenária se considerarmos que surgiu nos idos dos anos 1960.  Assim como cada uma de nossas associações comunitárias, a ASA tem uma história e uma identidade construídas por seus fundadores e ativistas. Muito desta história pode ser contada pelas suas paredes, seus quadros, seus móveis. Mais do que um imóvel ou um mobiliário, são testemunhas do que aconteceu nestes lugares, das disputas, das ideias, das vidas. Os retratos na parede continuam observando as reuniões. Alguns até parecem espantados com os tempos de hoje. Está tudo bem diferente. Mas, como em todas as demais instituições judaicas cariocas, os ativistas são os principais construtores desta história. Enquanto resistirem, teremos preservados nossos espaços.

A todos, um feliz Ano Novo.

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