Os perigos de hoje

EDITORIAL

O mundo está muito perigoso.

No Brasil, mosquitos “infectam” a saúde pública e produzem crianças com deformações no tamanho do cérebro. Na Europa, as levas de refugiados sírios têm dificuldade de se estabelecer em vários países. Alguns já colocaram muros para impedir a chegada desses seres humanos “estranhos”, enquanto assistimos, impávidos, à morte de crianças nas beiradas dos rios. No mundo, grupos extremistas ganham músculos e, de forma violenta, os exercitam quando tentam ganhar corações e mentes por intermédio da intimidação.  No mês de janeiro, em Davos, na Suíça, um grupo de analistas e milionários, reunidos no Fórum Econômico Mundial, confirmou a tendência de concentração de riqueza nas mãos de menos de uma centena de pessoas.  Elas possuem mais recursos financeiros do que a metade da população mundial. Este dado cria, sem dúvida, os perigos que descrevemos: as doenças, as guerras e os extremismos. Nenhum p
roblema se resolverá se não tivermos uma forma de espraiar a educação e distribuir a renda.

A visão de mundo da ASA ainda guarda o que sonharam nossos antepassados. Da época da criação da Bibsa, há cem anos, até hoje, nos equilibramos, tal qual um violinista no telhado, na triste tarefa de desarmar bombas-relógio de destruição de povos e lugares em busca de mais mercados e de lucro. Ainda que mantenhamos nossa memória afetiva dos tempos em que a convivência era mais prazerosa, vivemos hoje num universo de sentimentos mais imediatos e conhecimentos supérfluos.

Nossa utopia tem múltiplos aspectos. Vamos reviver o lado positivo dos tempos de Scholem Aleichem e tentar levar uma vida mais calma. Vamos evitar os fundamentalismos de todos os lados e buscar a via do diálogo. Vamos distribuir mais, educar e promover a cultura, uma das formas mais interessantes de conhecer o outro e de compreendê-lo. Vamos manter a tradição dos judeus universalistas e a ideia de que a justiça social é possível e vale a pena lutar por ela.

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