O pêndulo se desloca

EDITORIAL


A polarização das sociedades deste início do século 21 está nos levando a um lugar distante da utopia.

No Brasil, a presidente da República corre um sério risco de ser impedida de continuar no exercício do mandato. Ainda que questionáveis para a democracia as razões desse impedimento, o fato é que a sociedade se cindiu. Na Europa, líbios, sírios, iraquianos e africanos tentam encontrar um lugar para viver e se veem repelidos sob os argumentos mais xenófobos. Lá também a sociedade se cindiu, ao mesmo tempo em que ganha força um candidato à presidência americana com um discurso nacionalista, que levanta os sentimentos mais adversos aos imigrantes, responsáveis por boa parte da riqueza do país mais poderoso do mundo. No Oriente Médio, as guerras entre frações islâmicas e os ataques perpetrados contra o Estado de Israel espalham medo, preocupações e danos às populações de diversos países. Mais uma vez, as sociedades se dividem, se cindem e geram crescente insegurança e desconfiança entre os povos. Não era este o mundo com que sonhava a nossa geração. O que fazer ante tanta destruição de valores e de sonhos?

Contra as expectativas de paz, progresso e amizade entre os povos, desloca-se o pêndulo da História para a direita, o que pode redundar em mais injustiças, catástrofes, intervenções armadas e mortes.

Entendemos que o único caminho do mundo passa pela fraternidade e pela igualdade. Enquanto optarmos pela egolatria, pela falta de compreensão e solidariedade entre os seres humanos, pela fácil opção do investimento em segurança e pelo controle pelo medo, não vamos dar um passo à frente para caminhar por uma estrada de paz e de respeito às diferenças.

2 Comentários

  • Responder maio 2, 2016

    Max Altman

    A sociedade se cindiu, é verdade. A ASA que sempre teve lado não tem mais. Decidiu, covardemente, ficar em cima do muro.
    A divisão é nítida: de um lado as forças do retrocesso, da classe dominante, aí incluída a mídia, setores importantes do judiciário e da polícia. De outro os defensores do estado democrático de direito, dos direitos humanos, os movimentos sociais e, hoje, praticamente toda a esquerda unida.
    “Questináveis para a democracia as razões desse impeachment?” É indiferente para a ASA o Brasil, por meio de um golpe parlamentar-midiático, ser govenado pela dupla Temer/Cunha e a serviço de quem?.
    Estou perplexo com esta postura..O lema judaismo e progressismo se fraturou. Acabou o progressismo e logo, logo também o judaismo será engolido pelo establishment sionista. Como entender “ataques perpetrados contra o Estado de Israel” sem mencionar os ataques genocidas e a opressão contra o povo palestino levados a cabo por sucessivos governos israelenses?
    Vejo, horrorizado, que a combativa ASA, defensora dos valores da esquerda, não existe mais.

  • Responder maio 2, 2016

    Ivo Korytowski

    Claro que “o único caminho do mundo passa pela fraternidade e pela igualdade”, está em Isaías, mas as tentativas “de esquerda” de chegar à utopia falharam na prática, e novos caminhos precisam ser desvendados. O impeachment de Dilma não tem nada de questionável, o pedido, assinado por ilibados juristas e apoiado pela OAB, acusa-a de manobras fiscais ilegais (as tais “pedaladas”) para vencer as eleições a qualquer custo, que lançaram o país numa recessão sem precedente. Crime de responsabilidade previsto na Constituição. A OAB não iria se prestar a apoiar uma farsa ou uma ilegalidade.

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