Eleições vazias

EDITORIAL

Parece que as eleições viraram um grande jogo de venda de produtos. Tanto em nossas cidades brasileiras quanto nos Estados Unidos, não se discute a proposta de candidatos para melhorar a vida da sociedade, mas se edita e se coloca no ar o pior de cada um.

Nos Estados Unidos, o candidato à presidência pelo Partido Republicano usou a imprensa para veicular horrores a respeito de mulheres, imigrantes e todos aqueles diferentes de um suposto estereótipo norte-americano. A candidata democrata e toda a assessoria do seu partido usaram igualmente o tempo de propaganda para denegrir a imagem do adversário.

Aqui, os concorrentes à prefeitura entregaram-se a um debate enfraquecido, pobre, no qual não se colocam, senão muito superficialmente, as questões da cidade.  Uma cidade partida, segmentada, oferece uma pauta imensa de problemas a serem abordados e discutidos da forma mais democrática possível.  Ilações rasas de textos de um ou outro candidato, mas fora do contexto, apenas desviam a possível participação da população no encaminhamento de suas soluções.

No meio da pancadaria, alguém se lembrou do povo? Alguém lembrou que as questões de educação, segurança pública, saneamento e direitos humanos, entre outras, precisam de mais atenção do que a crucificação do outro?

Não nos parece sensato, nem nestas, nem em outras eleições, a perda de tempo para insultar, divergir em termos grosseiros ou tentar manobras para manchar a imagem ou subestimar o adversário. A análise mais profunda das carências sociais e da situação econômica deveria ocupar o espaço gratuito de propaganda. Mas para o marketing político o importante é o eleitor/consumidor comprar o “produto” que cada um apregoa como o mais adequado.

Que esta onda passe rápido. Precisamos de políticos menos midiáticos e mais comprometidos com a participação de todos, o bem-estar social, a tolerância religiosa e a diversidade de opiniões.

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