De lá e de cá

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O Estado de Israel acaba de completar 67 anos. Sua criação foi saudada à época, em inusitada unidade, por judeus de esquerda e de direita. Países socialistas abasteceram de armas o incipiente exército israelense. Havia a expectativa de que o movimento kibutziano seria o farol a iluminar o Estado judeu. A História, no entanto, se moveu por outros caminhos.

Hoje, os israelenses enfrentam importantes problemas existenciais. País tecnologicamente desenvolvido, com uma agricultura robusta e de ponta, Israel convive com os desequilíbrios típicos do capitalismo: concentração de renda, grande desequilíbrio social, desemprego crônico. No front interno, cresce a influência política dos grupos religiosos ortodoxos e dos colonos. A população árabe-israelense, historicamente discriminada e rotulada como “problema demográfico”, dá sinais de maior organização e politização (o bom desempenho da Lista Unida nas últimas eleições aponta neste sentido). No front externo, a questão palestina permanece aberta. Consome importantes recursos financeiros e humanos, ao mesmo tempo em que contribui para isolar o país nos foros internacionais e agravar problemas morais gerados pela ocupação de terras palestinas. Rachaduras surgem na relação com o até agora aliado incondicional, os Estados Unidos.

Seria arrogante sugerir, de fora, como desatar tantos nós. Podemos, no entanto, fazer uma especulação. Alcançada uma paz honesta com os palestinos, seria iniciado um ciclo virtuoso, que fluiria para a inauguração de uma etapa inédita com os vizinhos fronteiriços. Recursos hoje investidos na guerra e no colonialismo seriam canalizados para o desenvolvimento interno. Há forças democráticas em Israel que lutam por esse caminho. Não é nada fácil, mas estamos com eles.

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Em agosto, o mundo lembrará o 70º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. As duas bombas atômicas lançadas pelos norte-americanos contra populações civis japonesas marcaram, tragicamente, a cessação das hostilidades na Ásia. Meses antes, com a queda de Berlim, ocorria a capitulação nazista na Europa.

A ASA está preparando um seminário sobre as origens e as consequências daquela que foi a mais letal de todas as guerras. Virão importantes personalidades do meio acadêmico. O Coral da ASA, que fechará o programa, está ensaiando canções do repertório antifascista em quatro idiomas (ídish, espanhol, italiano e russo).

Coincidindo com o seminário, celebraremos o 51º aniversário da ASA e o centenário da BIBSA – Biblioteca Israelita Brasileira Scholem Aleichem, da qual somos herdeiros ideológicos e patrimoniais. Estamos organizando uma programação à altura dos festejos.

Um agosto, enfim, atraente. Fique conosco.

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