Quem diria?

Yaalon, Netaniahu, Liberman, Herzog

Yaalon, Netaniahu, Liberman, Herzog

Aquilo que a opinião pública judaica e israelense pró-paz com os palestinos ficou rouca de alertar sobre as políticas públicas do atual governo de Israel e de anteriores foi confirmado, quem diria, pelo ministro da Defesa renunciante, Moshé Yaalon, e pelo ex-primeiro-ministro e ex-ministro da Defesa do próprio Biniamin Netaniahu, Ehud Barak, que também foi chefe do Estado Maior, afora Yair Golan, o vice-comandante atual do Exército de Israel no Dia de Rememoração do Holocausto. Os termos por eles utilizados incluem quebra de valores morais, similaridades com fascismo, extrema-direita no poder e ameaças às liberdades democráticas. Agora só falta chamá-los, os denunciantes, de antissemitas e traidores.

Certamente o trio nomeado acima não é santo e teve parte na construção deste estado de coisas que agora denuncia. Podemos compará-los a Von Papen, um político alemão obscuro que abriu as portas à ascensão de Hitler ao poder na ilusão de que poderia controlá-lo e manipulá-lo. A criatura pôs o criador no bolso!

Se esta constatação não for suficiente, o líder Itzhak Herzog, do Campo Sionista, nome atual do velho Mapai, tentou negociar sua entrada na coalizão ao mesmo tempo em que Netaniahu estava em tratativas com Avigdor Liberman, do Israel Beiteinu, uma das mais gloriosas expressões do extremismo boçal, com a mesma finalidade, isto é, obter (dando-lhe) o segundo cargo mais importante no governo: o ministério da Defesa.

Os próprios liderados de Herzog o criticam agora como um ser desprezível, fisiológico, autor desta pretensão vista como escandalosa e desmoralizante. E Herzog, despudoradamente, os acusa de esquerdistas extremistas, amigos do Hamas…

A natureza destes desdobramentos deve-se a um só fator: a ocupação ilegal dos territórios palestinos e a opressão desencadeada juntamente com a construção dos assentamentos. Este é o moto contínuo que degenera a percepção política na atual conjuntura israelense.

O que se poderia esperar, no mínimo, é que o atual establishment judaico tomasse vergonha na cara e começasse a se dissociar da imagem que este governo veicula, mas não se vê neste meio nada parecido. Parece que acredita nas mentiras que fabrica ou que os manda difundir.

Estes são os fatos. Até quem é simpatizante do Likud deve sopesar o que um dos seus, o ex-ministro da Defesa Yaalon , declarou sobre o degringolamento do partido.

Talvez seja pedir muito nas atuais circunstâncias.

Especial para ASA

Henrique Samet

Doutor em História e professor na Faculdade de Letras da UFRJ. É colunista do Boletim ASA. Visite o blog: http://www.henriquesamet.com/

1 Comentário

  • Responder maio 26, 2016

    Clara Goldfarb

    Parabéns, Henrique, pela coragem de expor, sem retórica, a real face do governo de Israel. Você certamente será o “antissemita e fascista da vez”, como tantas vezes foram chamados os opositores desse governo.

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