Lições do extermínio

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Em 2005, a ONU instituiu o dia 27 de janeiro como Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Foi nesse dia que, em 1945, o Exército Vermelho chegou ao campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, libertando os esquálidos sobreviventes. No campo foram assassinados, metodicamente, cerca de um milhão de judeus. A chamada Solução Final reafirmava um aspecto da ideologia nazista: povos considerados de “raça inferior” não mereciam viver. Sua existência ameaçava contaminar os “puros” e “superiores”, cuja missão autoproclamada era criar uma Humanidade “perfeita”. A partir da invasão da União Soviética, o alto escalão do 3º Reich implementou uma política de extermínio sistemático dos judeus, com a multiplicação de campos no leste europeu.

Setenta anos depois, qual é a importância de lembrar o que aconteceu em Auschwitz-Birkenau ? Seria injusto, trágico mesmo, relegar o assunto a apenas um registro nos livros escolares. Eliminar o Outro, o que tem uma história e uma cultura diferentes, continua sendo uma prática bastante viva. A eliminação, física ou simbólica, usa táticas variadas. Os recentes acontecimentos nos Estados Unidos mostram a persistência da questão racial. O neocolonialismo, negando a narrativa do Outro, preconiza o assassinato da memória. O antissemitismo, às vezes escudado na interminável crise do Oriente Médio, reacende o trauma da Segunda Guerra Mundial. O fanatismo religioso propõe a exclusão de qualquer um que não comungue o mesmo credo. Todos são ramificações, metamorfoses, da intolerância radical que produziu o Holocausto.

Lembrar Auschwitz-Birkenau não deve ser apenas um exercício acadêmico, intelectual. Evocar os campos de extermínio é, sobretudo, um grito de alerta sobre as consequências das ideias supremacistas. Elas não terminaram com a derrota do nazifascismo. Identificá-las, denunciá-las e combatê-las faz parte da agenda dos setores democráticos e progressistas, que lutam por um mundo mais justo e fraterno.

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A diretoria da ASA deseja a todos um 2015 criativo, solidário e feliz. Que a nossa Associação possa ser, cada vez mais, um espaço de diálogo e reflexão. Que nossos encontros sejam cada vez mais frequentes e férteis.

Boletim nº 152 – janeiro/fevereiro de 2015 – Ano 26

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