Sócios-fundadores n 8

Agradeço o convite da diretoria da ASA para escrever este artigo, 50 anos depois de sua fundação. Já não me lembro de vários detalhes daquele período em que nos reuníamos para criar um clube recreativo, social e cultural. Mas ainda está na minha lembrança o entusiasmo, a motivação, o ambiente alegre em que estávamos envolvidos.

Os trabalhos para definir as características desse novo empreendimento, na procura de um local aprazível e na arrecadação de recursos financeiros, foram liderados pelo pessoal da BIBSA, pelas senhoras da AFIB e pelo grupo remanescente do Cabiras. Éramos dezenas, às vezes centenas trabalhando de forma alegre, motivados e organizados. O grupo agia com empreendedorismo, disposto a inovar. Tínhamos um grande sonho e força para transformá-lo em realidade.

Após a compra da sede, não foi difícil fazer a campanha para a entrada de sócios. Aliás, foi até muito fácil. Em poucos meses, através do boca a boca, já tínhamos um enorme número de sócios e um bom quadro de diretores.

A ASA era um local espaçoso e a sua sede, uma casa charmosa. Alguns anos depois, foi contratada uma arquiteta para elaborar um projeto para a construção de um novo prédio e uma piscina, para dar conta do crescente número de sócios. Era um belo projeto, que chegou a ser premiado. Infelizmente a construção ficou bem diferente do projetado.

A ASA vivia lotada nos finais de semana. Os sócios, mesmo não fazendo parte de uma diretoria eleita, participavam da organização dos eventos como se assim fossem. Todos se sentiam “donos” do novo clube. Havia festivais e olimpíadas internas, com provas de esporte, dança, teatro, pintura, moda etc.

Isso dá uma ideia de como eram animados os finais de semana. Era muito gratificante trabalhar para o clube.

Mas, já no início da década de 1970, a diretoria assumia uma posição mais politizada em detrimento de uma visão social e recreativa. Várias vezes intransigente, a diretoria se afastava dos desejos dos sócios.

Sem dinheiro e sem sócios, com menos de dez anos de existência, a ASA só teve como opção resistir e aguardar por tempos melhores. Inicia gradativamente o processo de sublocação do prédio inacabado e da casa da frente. E quanto mais sublocava, mais se afastava do seu propósito inicial.

Admiro o incansável trabalho que a atual diretoria está fazendo. Torço para que encontre o caminho para ocupar um espaço cada vez maior dentro da comunidade judaica.

Como uma das fundadoras da ASA e tendo sido diretora da AFIB (atualmente Associação Kinderland) por tantos anos, gostaria muito que as duas instituições se sentassem juntas para discutir o que poderia ser feito para aglutinar uma parcela da nossa coletividade. A televisão, a internet, a violência urbana, o consumismo, o individualismo e os altos custos de administração são os grandes concorrentes atuais para os clubes em geral.

Entretanto, acredito muito na importância da ASA. É uma instituição séria, humanista e democrática. Diversos importantes intelectuais, artistas e pensadores consideram-na uma referência para discutirem e apresentarem seus trabalhos. Desejo que a diretoria presente e as futuras mantenham a qualidade de seus trabalhos por muitos mais anos.

Parabéns a todos pelos seus 50 anos!

Martha  Kaplan e  seu marido, Nahun, já falecido,  foram sócios-fundadores n° 8 e fizeram parte da primeira diretoria e do Conselho da ASA.

Boletim nº 150 – setembro/outubro de 2014 – Ano 26

Especial para ASA

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