Era de Aquário

livraria ambulante do séc.16

livraria ambulante do séc.16

Quando a lua estiver na sétima casa e Júpiter alinhar-se com Marte, então a paz guiará os planetas e o amor varrerá as estrelas. Os versos do musical Hair profetizavam o surgimento de uma nova era, uma época da consciência coletiva. O cósmico evento que descreve o alvorecer desta era aparentemente já começou. Com a palavra, os entendidos.

Mas é engraçado como esse assunto dormiu no meu inconsciente durante mais de 50 anos. Eu explico:

Em 1957, fui trabalhar no Jornalismo da Rádio Nacional do Rio, sob o comando do Heron Domingues. E foi lá, sob inspiração de um dos redatores (não lembro o nome dele, era uma figura ótima, casado com uma cantora popular), que conheci a obra de Aníbal Vaz de Melo.

Entre outros livros desse anarquista, A Era do Aquário. O escritor conhecia profundamente o culto solar da Mitra, daí ele não perder a chance de insinuar a adaptação da grande figura de Jesus de Nazaré ao culto astronômico do Sol Invicto. Jesus passou a ocupar o lugar do sol e Maria, sua mãe, o lugar da constelação de Virgem. Confuso, mas interessante.

Segundo Aníbal Vaz de Melo, quando Jesus nasceu, o sol estava ingressando no signo zodiacal de Peixes, por isso, toda a história do Novo Testamento está relacionada à água e aos peixes: O batismo (mergulho na água) – A pesca maravilhosa – O Mar da Galileia – A Piscina de Betesda – A multiplicação dos pães e peixinhos – Jesus anda sobre as águas – a tempestade acalmada, e muitas outras.

 

Cristo, o maior dos anarquistas

Cristo, o maior dos anarquistas

O maior dos anarquistas

Outro livro de Aníbal Vaz de Melo que mexeu com a minha cabeça nessa época foi Cristo, o maior dos anarquistas. A capa era ótima, com a figura de Jesus segurando uma bomba-relógio. O livro foi editado durante a ditadura de Vargas, em castelhano – na Argentina, no Brasil não dava pé, dava cana.

Nesse livro o autor reincorpora à gloriosa genealogia dos revolucionários sociais, dos nobres e desinteressados agitadores, dos inimigos de todos os políticos, dos que lutam pela causa do povo a figura mítica de Jesus.

Andorinha

Uma recordação leva a outra. Nos tempos da Rádio Nacional, Andorinha trazia livros à Redação, e eu, provavelmente, era o seu melhor cliente. Claro, ele era vendedor de livros.

Andorinha conhecia as minhas preferências literárias e, mais ainda, sabia que livros e autores eu deveria ler para o aperfeiçoamento da minha vida intelectual e profissional.

Andorinha me acompanhou no meu itinerário: rádios Jornal do Brasil, Vera Cruz, Nacional, Eldorado e Globo, jornais Última Hora, O Dia-A Notícia e O Globo.

Ele me trouxe os livros de Aníbal Vaz de Melo. Andorinha, uma enorme e saudosa figura!

Boletim nº 146 – janeiro/fevereiro de 2014 – Ano 25

Especial para ASA

Henrique Veltman

Carioca, jornalista, 80 anos, torcedor do Ameriquinha. Antropólogo por formação, comunista por deformação. Sionista, ateu graças a Deus. Vários livros publicados (os últimos, Do Beco da Mãe a Santa Teresa; A História dos Judeus no Rio de Janeiro; A História dos Judeus em São Paulo; Histórias de Vovó Rachel – A Criação do Mundo). Novelista de rádio e televisão. Casado, avô de quatro netas e bisavô de quatro bisnetos. Hoje, editor de Opinião do jornal DCI Diário Comércio Indústria & Serviços de São Paulo. É colunista do Boletim ASA. E-mail: hbveltman@gmail.com

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