É pra valer?

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Negociação israelenses e palestinos 2013

Saeb Erekat, John Kerry e Tsipi Livni

Depois de três anos estagnadas, recomeçaram, em meados de agosto, as negociações entre israelenses e palestinos, mediadas pelos Estados Unidos e numa conjuntura particularmente instável no Oriente Médio. O golpe militar no Egito (não reconhecido como tal pelo governo Obama, que manteve quase intacta a ajuda militar ao país) e a guerra civil na Síria são elementos importantes no xadrez diplomático que cerca a nova tentativa de resolver o conflito israelense-palestino.

A diplomacia norte-americana procura um trunfo em meio à saia justa causada pelas denúncias de espionagem virtual, que irritaram aliados. Por isso, pressionaram duramente os palestinos para que se encontrassem com os israelenses, sob pena de pesadas sanções econômicas. O governo israelense, refém de uma opinião pública cada vez mais cética em relação às possibilidades de paz com os palestinos e comprometido com os interesses dos colonos, procura uma saída para o crescente isolamento internacional do país. Emblemáticos neste sentido foram a admissão, em 2012, da Palestina como Estado observador não membro da ONU e a recente decisão da União Europeia de punir empresas que negociem produtos e serviços gerados nos territórios palestinos ocupados por Israel desde 1967. A Autoridade Nacional Palestina, que administra uma economia dependente de Israel e tem enorme dificuldade para cumprir obrigações sociais básicas, é forçada a lidar com a cisão interna do movimento de libertação nacional palestino, o que reduz dramaticamente sua representatividade. Qualquer avanço nas atuais negociações poderia, nestas circunstâncias, melhorar a posição do presidente Mahmud Abas.

Depois dos acordos de Oslo, em 1993, todas as tentativas de resolver as pendências entre os dois lados fracassaram. A política de colonização israelense jamais foi interrompida. A presença de colonos judeus na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental duplicou desde então, criando um fato consumado de difícil reversão. Antes mesmo da presente rodada de encontros, o governo Netaniahu anunciou a expansão de colônias. A falta de perspectivas dos palestinos cria um clima propício a radicalizações, que fortalece os fundamentalistas de ambos os lados.

Esperamos que não esteja em curso apenas uma operação de marketing diplomático, o que seria desastroso para as populações envolvidas. A solução Dois Povos, Dois Estados, que a ASA defende publicamente, ficará seriamente ameaçada se não acontecerem avanços concretos nas atuais negociações.


anonovo

ASA deseja a seus sócios, amigos e à comunidade judaica um 5774 que ilumine novos caminhos de justiça, fraternidade e igualdade. Que a paz deixe de ser um sonho remoto e se torne um instrumento cotidiano de aproximação entre os homens.

Boletim nº 144 – setembro/outubro de 2013 – Ano 24

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