Uma luta marcante

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Uma luta marcante

Entre as várias formas de luta dos judeus contra o nazismo, o Levante do Gueto de Varsóvia, em 1943, teve uma grande importância simbólica. No 70º aniversário daquela revolta, a diretoria da ASA homenageia os insurgentes publicando o comunicado que subscreveu com outras 46 instituições de quatro países.

COMUNICADO

O gueto de Varsóvia concentrou quase meio milhão de judeus a partir do final de 1940, numa área equivalente a menos de 5% da capital polonesa. As condições sanitárias e alimentares eram degradantes e a mortalidade rapidamente atingiu níveis inéditos. Passou a ser rotina encontrar pessoas mortas nos espaços públicos. Em meados de 1942, começaram as chamadas Grandes Deportações, cujo objetivo era o extermínio sistemático da população do gueto. Os judeus foram transportados como gado para o campo de Treblinka e, em sete semanas, a população judaica de Varsóvia viu-se reduzida a menos de 60 mil pessoas.

Remanescentes das várias correntes políticas que atuavam no gueto negociaram a formação de uma resistência unificada. Surgia a ZOB – Organização Combatente Judaica, composta por um amplo arco de tendências, que ia dos comunistas aos sionistas de esquerda. Através de contatos com a resistência clandestina polonesa fora do gueto, conseguiram algumas armas e construíram uma rede de bunkers. Sabiam que não havia saída: era lutar com os nazistas ou morrer passivamente, incinerados nos campos de extermínio. Começava, enfim, a última etapa de um processo que começara com a resistência cultural (havia escolas e grupos de estudo no gueto) e da memória (como a formação do arquivo Oyneg Shabes, concebido por Emmanuel Ringelblum).

Eles eram poucos, não tinham treinamento de combate, estavam mal armados. Apesar disso, resistiram por quase um mês a uma das mais poderosas máquinas de guerra da História. O levante do gueto de Varsóvia, que completa 70 anos, foi uma insurreição dos que escolheram morrer com honra, em meio à barbárie nazista.

No dia 19 de abril de 1943, primeiro dia do Pessach, atacaram uma patrulha alemã. Começava o levante. De início surpreendidos, os nazistas encorparam as tropas e passaram a dizimar sistematicamente a área do gueto, sempre fustigados pelos rebeldes, que usavam táticas de guerrilha. Os combates se intensificaram, mas a disparidade de forças era enorme. Aos poucos, o gueto foi se transformando num monte de escombros e poucos insurgentes conseguiram escapar pelas galerias de esgoto. A destruição da Grande Sinagoga de Varsóvia, no dia 15 de maio, simbolizou o fim da luta.

Por que, em meio a tantas histórias dramáticas, a memória desta resistência ainda incendeia a imaginação?  Não foi apenas a construção de uma barreira, frágil mas significativa, de resistência contra o obscurantismo nazista. Talvez mais importante do que ela tenham sido a sabedoria de ultrapassar diferenças ideológicas e formar um comando unificado de luta e a decisão firme de morrer com dignidade. Este é um exemplo poderoso para todos os povos subjugados, humilhados, agredidos, em todas as épocas. Uma referência que hoje, 70 anos após o levante, fazemos questão de ressaltar.

Glória eterna aos heróis e mártires do gueto de Varsóvia!

Rio de Janeiro, 19 de abril de 2013

ASA – Associação Scholem Aleichem de Cultura e Recreação (Rio de Janeiro)

Associação Kinderland (Rio de Janeiro)

Meretz – Brasil

ICIB – Instituto Cultural Israelita Brasileiro (São Paulo)

Habonim Dror (Rio de Janeiro)

Centro Cultural Mordechai Anilevitch (Rio de Janeiro)

Hashomer Hatzair (Rio de Janeiro)

Hashomer Hatzair (São Paulo)

Amigos Brasileiros do Paz Agora

Grupo Tortura Nunca Mais (Rio de Janeiro)

Algo a Dizer – Jornal de Política e Cultura (Rio de Janeiro)

Instituto Vladimir Herzog (São Paulo)

Instituto Casa Grande (Rio de Janeiro)

Fundação Dinarco Reis (Brasil)

Associação Cultural José Martí (Rio de Janeiro)

Casa da América Latina (Rio de Janeiro)

Hagadá Hasmalit – Centro de Cultura Alternativa (Tel Aviv, Israel)

ACIZ – Asociación Cultural Israelita dr. Jaime Zhitlovsky (Montevidéu, Uruguai)

ICUF – Ídisher Cultur Farband (Federação das Entidades Culturais Judaicas da Argentina)

Asociación Cultural Israelita Argentina “I. L. Peretz” (Santa Fé, Argentina)

Centro Cultural Israelita “I. L. Peretz” (Buenos Aires, Argentina)

Asociación Cultural Israelita de Córdoba (Argentina)

Centro Cultural Israelita de Mendoza (Argentina)

Argentinos Amigos de Paz Ahora

Oktubre – Agrupación Estudiantil Derecho-Humanidades-Trabajo Social (Santa Fé, Argentina)

Leña al fuego (programa nacional de rádio, Argentina)

Fundacion de Investigaciones Sociales y Politicas (Argentina)


Instituto Movilizador de Fondos Cooperativos (Argentina)


Lista Violeta – CTERA (Confederacion de Trabajadores de la Educacion de la Republica Argentina) – Secretaría de Derechos Humanos


La Tosco Docente – corriente interna de la Asociación del Magisterio (Santa Fé, Argentina)


Movimiento Politico Sindical “Liberacion” (Santa Fé, Argentina)


Movimiento Territorial “Liberacion” (Santa Fé, Argentina)


Cooperativa de Trabajo BACHI (Santa Fé, Argentina)


Liga Argentina por los Derechos del Hombre – filial Santa Fé, Argentina


Movimiento de Solidaridad y Amistad con Cuba (Santa Fé, Argentina)


Accion Educativa (Santa Fé, Argentina)


Centro de Estudios y Formacion Marxista “Hector Agosti” (sedes Santa Fé y Rosário, Argentina)


Mesa Coordinadora de Jubilados y Pensionados de la República Argentina (Santa Fé, Argentina)

Secretaría de Derechos Humanos – Central de Trabajadores Argentinos (Santa Fé, Argentina)

Centro Cultural Israelita de Rosário (Argentina)

Museo Ernesto Che Guevara (Buenos Aires, Argentina)

Comision de Derechos Humanos Escobar (Buenos Aires, Argentina)

Movimiento Territorial “Liberacion” (Santa Fé, Argentina)

Asociación Civil y Cultural Vorwärts (Buenos Aires, Argentina)

Centro Cultural Independiente CEJ (Santa Fé, Argentina)

Asociación Cultural Ucraciano-Bielorrusa “Ivan Frankó” (Santa Fé, Argentina)

Comisión de Amigos Del Museo Cesar Lopez Claro (Santa Fé, Argentina)

Boletim nº 142 – maio/junho de 2013 – Ano 24

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